terça-feira, 5 de maio de 2009


Depois de um tempão, estou postando denovo! Dessa vez li um dos livros da literatura cararinense solicitados pela UFSC: A Vitrina de Luzbel - A. Sanford de Vasconcellos. Gostei do livro, intrigante de leitura rápida. Um romance policial curto que conta a história de Lupércio, Babão, suas malandragens e mulecagens que logo depois implicaram em um suposto envolvimento no caso do assassinato de duas moças. E aí que a historia fica interessante! Em todo caso, o livro é legal porém muito simples, bem 'água com açucar'. NOTA: 6.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Nova biblioteca em Floripa

Boa notícia pra Floripa: o Sesc da Prainha abriu uma biblioteca com computadores novos conectados à internet banda larga, jornais e revistas, seção infantil e, o mais importante, acervo de qualidade. Ela é relativamente pequena, mas moderna e climatizada. Numa passada rápida pelas estantes, vi que poderia passar um bom par de anos mergulhado ali dentro antes de terminar a leitura das obras que me interessaram. Já estou de olho nuns livros de Nelson Rodrigues, Isabel Allende, José Saramago e Stephen King. No item conforto, seria muito legal se houvesse uns pufes e almofadões pelos cantos, mas já tá de bom tamanho pra começar.

A Bilica - Biblioteca Livre do Campeche - e a Barca dos Livros, na Lagoa da Conceição, são outros dois belos espaços públicos que lutam pra sobreviver na base do voluntariado e mecenato, em meio à indigência cultural a que os catarinenses são submetidos pelo poder público. Se você tiver livros parados em casa e quiser fazer a boa ação do dia, dê uma passadinha nesses lugares, aproveite o ambiente e faça sua doação. A Bilica fica na avenida Campeche, ao lado da videolocadora Bela Arte, esquina em frente ao Ateliê da Arteira, um pouco depois do mercado Dezimas no sentido Campeche-Lagoa, à mão esquerda. A Barca dos Livros está no centrinho da Lagoa, perto do ancoradouro de barcos. Em breve o café do térreo vai reabrir com delícias da culinária mineira.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Lendo: Categorias de Aristóteles

Ultimamente todas as leituras que tenho feito estão ligadas a um curso de metafísica e ética que estou fazendo. Estes tópicos são introdutórios para o curso sobre a Suma Teológica de São Tomás de Aquino. Estou adorando o curso! O professor, Antonio Donato, nos deu uma apostila que é a base do curso, além disso ele nos envia semanalmente textos variados, capítulos da história da filosofia e sugestões de leituras complementares, dentre elas as 'Categorias' de Aristóteles, embora pequeno no tamanho é um livro muito importante e enigmático. Estou longe de entender, mas continuo tentando, segundo meu professor alguns textos filosóficos necessitam meses, as vezes anos para o entendimento, por isso é preciso começar um dia...
Ainda não me arrisco a comentá-lo, fica só o registro.
Beijo a todos!

Liga, roda, clica


Fazia um tempinho que eu não lia nada muito acadêmico e em fevereiro peguei para ler o livro Liga, roda, clica, organizado pelas amigas Gilka Girardello e Monica Fantim.

São 12 artigos que tratam das relações entre a criança e as novas tecnologias. O que me chamou atenção foi:

- Estação Memória: projeto interessante em SP, em que em entrevistas idosos contam a história do bairro e de sua infância, compartilhando com as novas gerações.

- Como todos nós, os educadores estão um pouco perplexos e não sabem direito o que fazer e como entender sobre a relação das crianças com o computador.

- Fiquei um pouco perturbada com a declaração da Bebel de que a escola, que antes era o espaço do saber, luta para se manter como um espaço de relevância.

- Gilka nos lembra que os games violentos e muito realistas não ajudam a estimular a imaginação.

- Em um artigo sobre como as crianças retratam o corpo, Ingrid conta de uma menina que tinha fixação em se manter magra. Detalhe: a menina não era gorda e tinha apenas 5 anos.

O livro não se propõe a oferecer respostas prontas. Não é nada do tipo o que fazer, como fazer. Mas vez ou outra dá para pescar recados interessantes, do tipo: mediar a relação das crianças com a tecnologia é uma tarefa de todos - da escola, da família, de todos nós. Para isso, é preciso que a gente mesmo comece a usar e descobrir coisas legais. Outro recado: vale muito a pena procurar experiências off-line, que ampliem cada vez mais a diversidade cultural das crianças.

Para finalizar, aí vai um vídeo bem bacana do TED "Escolas matam a criatividade?":



sexta-feira, 17 de abril de 2009

Onde se passam as narrativas

Novidade! O Leiturama agora é georreferenciado. Ideia da Laura. Na coluna aí do lado incluímos um mapa onde estão indicados os lugares em que se passam as histórias contadas nos livros que lemos e/ou onde eles foram escritos. Enviei convite a alguns de vocês, coautores do blog, pra que possam completar os pontos que já colocamos e escrever uma ou duas linhas sobre eles. Uma vez por ano, vamos sortear um(a) leitor(a) e enviar a pessoa até o seu lugar preferido - nem que seja só na imaginação, hihihihi...

domingo, 5 de abril de 2009

A chave do tamanho

A chave do tamanho é um livro de Monteiro Lobato. Nessa história, Emília visita a Casa das Chaves. Ela queria desligar a chave da guerra - porque era na época da Segunda Guerra Mundial -, mas desligou por engano a chave que regula o tamanho das pessoas. Todos os humanos encolheram e o mundo ficou perigoso. Muitos morreram comidos por gatos, passarinhos, cachorros ou sufocados pelas próprias roupas. Um gato comeu os pais do Juquinha e da Candoca, vizinhos do Sítio do Picapau Amarelo.

Emília contou pra eles que os pais tinham ido pra "papolândia", onde moravam os papapopos dos popos. A papolândia era um lugar bem quentinho, que nem cama. Era um tipo de colo.

Emília pegou um espinho e usou como arma. Ela matou uma aranha e teve sua primeira vitória. Depois, quando tava chovendo, ela entrou num buraco e tinha uma aranha de olhos vermelhos. Emília dormiu e sonhou que dona Benta tava montando numa taturana e disse 'Um ladrão roubou meu tamanho'.

Depois Emília viajou o mundo num sítio montado na cartola do Visconde. Tinha besouros, cogumelos, uma hortinha, uns bancos de queijo. Tinha garrafinhas de suco com os gominhos de laranja. E também gema de ovo pra eles comerem. O ovo ela achou num ninho de beija-flor, quando o passarinho pegou ela, Juquinha e Candoca.

Eles encontraram uma cidade dentro do balde, e as pessoas comiam minhocas. O Visconde era um gigante e ajudou as pessoas a colar um vidro no teto do balde e a fazer os trabalhos difíceis. Eles voavam com os besouros. Usavam algodão pra fazer as tangas, molhando com clara de ovo. E papel de jornal pra fazer cimento, molhando um pouquinho com água.

Minha nota pra este livro é 4 estrelas.

Texto de Miguel com a colaboração de Dauro

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Flush

Depois de mais de um ano que peguei emprestado da amiga cachorreira Ana Paula Lückman, finalmente terminei de ler Flush - Memórias de um cão. Esse livro, escrito meio que como divertimento por Virginia Woolf (1882-1941), tornou-se um dos maiores sucessos de público da escritora britânica. É a biografia ficcional de um cocker spaniel pertencente à poeta inglesa Elisabeth Barret Browning. Conta desde a infância dele em Londres até a maturidade e velhice na colorida Itália, pra onde a poeta se mudou com o marido.

Um dos méritos do romance é que ele descreve de maneira bastante vívida os costumes do período vitoriano inglês - e, em contraste com o luxo dos casarões, as condições de indigência dos bairros periféricos de Londres de meados do século 19. Confesso que gostei mais de Niki - a história de um cão, do húngaro Tibor Déry. Mas Flush tem o seu valor e me ajudou a estudar a narrativa pelo ponto de vista não-antropocêntrico, num momento em que eu me dedicava a escrever um roteiro de um documentário suinocêntrico. Acho que os cachorreiros vão gostar.

p.s.: Dos livros "sobre animais" que já li, o mais tocante, disparado, é Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Os últimos momentos da cachorra Baleia são inesquecíveis.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Lendo Lennon

Aos poucos vou saboreando as pitorescas histórias do ídolo Lennon na considerada “Biografia definitiva de John Lennon - escrita com base em extensa pesquisa e em documentos e depoimentos inéditos de Yoko Ono, Sean Lennon e Paul McCartney”... ainda estou no início das 800 e tantas páginas do livro John Lennon- A Vida, de Philip Norman, mas já estou adorando as histórias e relatos de fatos curiosos da sua família e infância marcada pela guerra e a ausência do pai, na Liverpool da década de 40.
A leitura deste livro me despertou também a saudade de tocar violão, resultado tirei a poeira do meu velho violão e graça ao “cifra club” todo fim de tarde arranho umas baladas :D

Lao Wai

A jornalista Sônia Bridi, que atualmente é correspondente da Rede Globo em Paris (e foi minha colega no curso de jornalismo da UFSC em Floripa), conta em Lao Wai (Estrangeiro) sua experiência de viver dois anos na China. Ela, o marido cinegrafista Paulo Zero e o filho Pedrinho, na época com três anos, enfrentaram um gigantesco choque cultural ao se mudarem de mala e cuia pra implantar uma sucursal da Globo nesse país de tradições milenares, fascinante e cheio de contradições.

Sônia é uma narradora de mão cheia, dona de um texto fluido e bem humorado. Atenta aos detalhes e com um ponto de vista bem feminino-brasileiro, ela vai revelando como é o cotidiano desse país emergente, que cresce a taxas médias de 10% ao ano e caminha rápido pra se tornar a maior economia do planeta.

A burocracia, a censura, o curioso "comunismo de mercado", o carinho dos chineses pelas crianças e seu apreço pela educação, a medicina tradicional, a decoração kitsh na casa dos novos-ricos, a poluição, as antigas tradições que estão se perdendo nas vilas do interior... É extensa a lista de assuntos que a jornalista aborda neste livro delicioso, que pode ser lido tanto como diário de viagem quanto como uma verdadeira aula de geografia globalizada. Belíssimo livro, com linguagem coloquial e narrativa bem urdida, gostosa de ler. Vale cada página.

sábado, 21 de março de 2009

O gênio do crime

Essa hitória conta de um caso que se passa em São Paulo.O caso é :tem uma fábrica clandestina que vende figurinhas falsas de um album de futebol,o dono da fábrica verdadeira chama o Pituca,Edmundo e Bolachão, crianças do 5º ano A e B.
Para investigar melhor eles acabam saindo de casa dizendo que vão para uma excursão e acabam acampando perto de um rio. Ao longo da história o detetive Mister John é contratado para ajudar no caso. Mister John é o "detetive invicto'' pois ele sempre consegue decifrar todos os casos.

Lido: Livros de filosofia...

Após longo período sem posts, não por falta de leitura, mas por falta de tempo, coloco aqui um resumo do que li nestes últmos dois meses. Da coleção 'A obra prima de cada autor' da Martin Claret li 'Banquete' , 'Apologia a Sócrates' de Platão e textos de Arthur Schopenhauer, 'Da morte', 'Metafísica do amor', 'Do sofrimento do mundo'.

Li ainda 'A Filosofia' e 'Apresentação da Filosofia' de André Comte-Sponville, o conteúdo destes dois livros são bem parecidos, a diferença é a forma. Em 'A Filosofia' o autor passa pela hitória, domínio e correntes da filosofia de uma forma resumida, citando principais filósofos e suas teorias. Já no livro 'Apresentação da Filosofia' o autor discorre sobre temas como a moral, a política, o amor, a morte, Deus, o ateismo entre outros. É também super-hiper resumido, mas ele destaca as principais idéias e filósofos de cada tema, servindo de referência para um aprofundamento posterior. Tem uma linguagem simples e foi feita pensando nos adolescentes, embora agrade muitos adultos, como diz o próprio autor.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Travessuras da menina má

Terminei de ler - ou melhor, devorei - Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa. Lindíssimo e triste também. É a história de um tradutor peruano apaixonado desde a adolescência por uma mulher. Mas eles são muito diferentes. Enquanto Ricardo é romântico e se satisfaz em levar uma vida tranquila na capital francesa como intérprete da Unesco, a mulher - que tem vários nomes - é ambiciosa, quer a todo custo sair da pobreza se casando com homens de dinheiro. Os anos vão passando e os dois se encontram em várias ocasiões, em diversas cidades do mundo - primeiro em Lima, depois Paris, Londres, Tóquio, Madri... A relação entre eles é estranha e dolorida porque ela o faz de gato e sapato, mas ele continua cada vez mais apaixonado.

Pelo caminho, o narrador - que conta a história em primeira pessoa, de forma linear - vai entremeando relatos sobre os momentos históricos que viveu, como os anos revolucionários em Paris nos anos 60, a swinging London dos hippies nos 70, a Madri em efervescência política da redemocratização dos anos 80. Também passam pela história alguns grandes amigos dele e breves relatos das mudanças no Peru: golpes de estado, terrorismo do Sendero Luminoso, urbanização e favelização das grandes cidades. É uma história tocante sobre encontros e desencontros, sobre solidão, sonhos e buscas existenciais. Dos romances de Vargas Llosa que li até agora (os outros são Conversa na Catedral e Quem matou Palomino Molero?), achei o melhor.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O Morro dos Ventos Uivantes

Terminei de reler esta semana O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights), de Emily Brontë.

A história se passa em uma região isolada do interior da Inglaterra. Conta a trajetória de duas gerações das famílias Earnshaw e Linton que, com a chegada inesperada de um menino chamado Heathcliff, passa a ter seu destino marcado por amor, ódio, ciúme, ressentimentos. Mostra a impossível conciliação entre o "selvagem" e o "civilizado", a dificuldade de aceitação e a força do amor entre Heathcliff e Cathy, um amor que atravessa o tempo e desafia até a morte.

A autora Emily Brontë nasceu em 1818 e viveu somente 30 anos. Esta foi sua principal obra, que foi adaptada várias vezes para o cinema, foi uma das primeiras novelas da TV brasileira e mais recentemente foi bastante citada no livro Eclipse, da Stephenie Meyer.

Inspirou também uma musica que foi um su-ce-sso-sso do final dos anos 70, na voz de Kate Bush - os mais velinhos certamente vão se lembrar. E os mais novinhos, por favor, não se assustem!



E pra quem quer levantar os bracinhos e cantar junto, aí vai a letra:
http://www.metrolyrics.com/wuthering-heights-lyrics-kate-bush.html

quarta-feira, 4 de março de 2009

Trava-Língua



"o quero-quero quer
pro quati
o que o quati
quer pra ti."

do livro que o João trouxe da biblioteca da escola:
Quem lê com pressa tropeça - de Elias José

E você conhec
e outros trava-línguas?
compartilhe aqui!

Ana



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Sua resposta vale um bilhão

Terminei ontem Sua resposta vale um bilhão, de Vikas Swarup (Companhia das Letras, 2006), que foi transformado em filme ganhador de vários Oscars. É a história de um garçom indiano de 18 anos que ganhou um bilhão de rúpias num concurso de perguntas e respostas da televisão. Os organizadores não têm dinheiro pra pagar o prêmio e querem desmarcará-lo por fraude. Ele é preso e começa a ser torturado na delegacia de polícia, mas encontra uma oportunidade de se safar.

A estrutura da narrativa é parecida com o de As mil e uma noites: o garçom começa a contar sua história pra advogada de defesa e vai explicando, uma a uma, como aprendeu as respostas pra todas as perguntas. Não chega a ser um livro extraordinário como O Deus das pequenas coisas, de Arundathi Roy (que em 1977 ganhou o Booker Prize, o mais importante prêmio literário de língua inglesa), mas é bem escrito. Mostra os contrastes terríveis entre riqueza e miséria na Índia, uma imagem bem mais real que a do país mitificado por tanta gente.

As aventuras de Ram Mohammad Thomas, que cresceu numa favela de Mumbai, prendem a gente da primeira à última página. Pelo caminho vamos conhecendo personagens incríveis, como o coronel australiano que é diplomata e espião; uma atriz de cinema aposentada vivendo das lembranças passado; um gângster que explora crianças pra mendigarem nos trens; um velho soldado e suas lembranças de guerra; um bêbado cheio de remorsos pelo que fez ao irmão; um padre inglês que tem um segredo; um rapaz gentil com problemas de fala...

Gostei bastante e devorei em três dias, pulando outros livros que estavam na fila.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Eclipse :)


Aaah, posso postar depois de um mês que li o livro, não posso?
Para quem se apaixonou em Crepúsculo e depois se decepcionou com Lua Nova...

...Seus problemas A-Ca-Ba-Ram!!
Chegou o Eclipse! A salvaçããão! sinceramente, bem mais legal..
Neste livro, Bella conhece mais a tribo de seu melhor amigo (Jacob), novas coisas acontecem e a história aaanda.. anda mais do que no livro Lua Nova.. Sem Duvidas!!

Para leitores de Floripa, entre em contato com a mila, ela tem
ee leitores de Rolim, falar comigo, eu tenho!

Lado esquerdo

Lembram desse? Um dos últimos desenhos que fiz, acho que usando o lado esquerdo, só que não do cérebro e sim do peito, naqueles dias de espera e esperança em Cáceres.
Ontem 25/02 seria seu aniversário... eita saudade.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A política do rebelde

Mais uma resenha do fundo do baú:

A política do rebelde - tratado de resistência e insubmissão

(Michel Onfray)

A veia anarquista que originou A política do rebelde lhe surgiu na infância, conta o filósofo francês Michel Onfray. Sua experiência de humilhações em um colégio interno e, na adolescência, o trabalho insalubre numa fábrica de queijos forjaram-lhe um visceral espírito libertário: "A autoridade me é insuportável, a dependência, intolerável, a submissão, impossível", deixa claro no início do livro. Seu texto celebra a busca do prazer como filosofia de combate. Uma filosofia pela plenitude da vida, contrária à armadilha do ascetismo e atenta ao fato de que tudo irá desaparecer.

Onfray constrói os argumentos num diálogo permanente com outros pensadores insubmissos: Nietzsche, Proudhon, Thoureau, Bataille, Foucault, Deleuze, Blanquis. Das obras de Primo Levi, Amery e Antelme sobre o horror nazista, o autor resgata uma constatação crua: não existe diferença de natureza entre os campos de concentração e as "catedrais de dor" administradas pelo capitalismo – indústrias, empresas, prisões, hospitais psiquiátricos. Em graus diversos, há o mesmo desprezo pelo indivíduo.

É em defesa de um individualismo autônomo, solidário, que Onfray elabora sua política hedonista, libertina e libertária. Adepto da retomada dos ideais de maio de 68, ele advoga um "reencantamento do mundo". Para que isso ocorra, crê que é fundamental submeter o econômico ao político, mas também colocar o político a serviço da ética. Sua proposição destaca a cultura crítica, a cólera como dinâmica e o ódio à "moral do sofrimento", que faz do trabalho um valor absoluto e falsamente emancipatório.

Um dos pontos tocantes da obra é o capítulo Cartografia infernal da miséria, em que Onfray revela compaixão pelos despossuídos. Ele toma emprestado referências de Leviatã de Thomas Hobbes e da Divina comédia de Dante para traçar um mapa do inferno contemporâneo, dividido em três círculos de fronteiras tênues. O mais periférico é o dos malditos – indigentes que nada têm além de si próprios. Em seguida vem o círculo dos reprovados – velhos, loucos, doentes, delinqüentes, imigrantes clandestinos. E por fim o dos explorados - espoliados nos locais de trabalho, dentro da legalidade da sua existência.

Como pulverizar a autoridade e destruir o conformismo? O autor reconhece que a ação individual isolada tem eficiência limitada, pois "leva sistematicamente para a boca do lobo". Ele aposta na associação de forças individuais de rebeldia, armadas de pensamento crítico para fazer suas barricadas metafóricas contra os donos do poder. "Mesmo que a probabilidade de uma vitória geral seja nula e impensável", admite. Concorde-se ou não com as idéias do filósofo, ler as provocações de A política do rebelde é como receber um sopro de ar fresco. Impossível ficar indiferente.

Publicado originalmente em 2001 no web site da Editora Rocco.

Desenho no Leiturama?


Semana passada, depois de um tempão de promessas, eu e a tia Laura, começamos nosso curso de desenho. 'Desenhe com o lado direito do cérebro'. Inicialmente a intenção era virarmos uns 'bichos' no desenho, só que ampliamos nossa visão, e agora queremos virar uns 'monstros', já que gostamos tanto a ponto de querer estender o intensivão de desenho. Na primeira aula nós fizemos nossos autos-retratos, o meu ficou uma bela porcaria (tudo bem, vou tentar ser menos auto-crítica) mas o da tia eu gostei mesmo achando que ela está com cara de Alanis Morissette. Umas horas nós nos perguntavamos: Será mesmo que temos lado direito? Vai que a gente nasceu sem né!
Mas acho que tudo realmente é possivel de se aprender, mas claro, nenhum artista se forma sem pratica. Falta mais 3 aulas, espero que cumpra nossas espectativas 'monstruosas'. Que que vocês acham?
Ah, a imagem do ladinho eu fiz de uma foto da Mandú, parei no orkut dela, aí do nada peguei a prancheta e comecei a copiar, com a borracha do lado é claro... mas, saiu! Eu gostei dele, por que até semana passada seria 'quase' impossível.

Bruce Lee

Até semana passada, nunca tinha visto nenhum filme do Bruce Lee. Não sabia nada sobre a sua obra. Mas sempre tive curiosidade a respeito deste grande mestre das artes marciais. Pois em janeiro li a biografia Bruce Lee – Definitivo.

É bem interessante. O livro se parece mais com uma revista – muitas fotos e texto bem fluido. Apresenta os diferentes momentos da vida de Bruce Lee, desde o seu nascimento nos Estados Unidos, sua infância em Hong Kong, suas decepções e conquistas no cinema até a sua morte precoce, quando tinha apenas 32 anos. Aí vão alguns fatos interessantes:

- Bruce Lee foi uma criança baderneira, tanto que tocou fogo na despensa de sua casa – nessa época ganhou o apelido de Pequeno Dragão.
- Na adolescência, formou gangues para brigar – e apanhar muito – nas ruas de Hong Kong.
- Foi nas aulas de artes marciais que ele aprendeu a neutralizar a energia e força do oponente.
- Aos 14 anos era um exímio dançarino de cha-cha-cha – tanto que venceu um concurso nacional.
- Aos 18 anos, mudou-se para os EUA, levando apenas 115 dólares no bolso.
- Nos EUA estudou filosofia, montou uma academia de kung fu, teve alunos como Steve McQueen, Lee Marvin, Roman Polanski e Chuck Norris.
- Até hoje sua obra serve como fonte de inspiração para cineastas como Quentin Tarantino (que lhe presta uma homenagem nos filmes Kill Bill).

Gostei de ler este livro. Agora, estou começando a conhecer os filmes do Bruce Lee e aprendendo a admirar a beleza das artes marciais.